Reflexões dos 38 – Da dependência emocional ao sair da caixa

Hello, people! Como vocês estão? Tudo bem? 👩🏼‍💻🙋🏼

Não sei se já perceberam o visual novo do site, mas sim, mudei a foto de fundo. Achei que estava muito escura, deixando muito pesado e resolvi trocar por uma foto mais clara, com uma imagem mais clean e o resultado ficou muito bom, espero que tenham curtido também!

Como alguns sabem, ontem, 11 do 11 foi meu aniversário. Yes, agora tenho 38 e não tenho vergonha de dizer, rsss. Como venho passando por um momento reflexivo, desconfiei desde o princípio que acabaria escrevendo sobre isso no meu aniversário, afinal, tem tudo a ver, né? É em momentos como esse que pensamos em algumas coisas sobre nós mesmos, fazemos uma espécie de análise do que vivemos até aqui. Vim compartilhar as minhas reflexões sobre algumas experiências que me marcaram até os 38.

Pode até ser que essa postagem seja continuação da anterior, porque inevitavelmente os assuntos se cruzam. Se você não leu o último post, leia para entender.

Aniversários para mim sempre foram um tanto estranhos, tensos. Nunca tive festas cercadas por muitos amigos, simplesmente pelo fato de que sempre acreditei que amigo era aquele que estava próximo e não aquele que só via no aniversário, no entanto, de uma forma ou de outra acabava comemorando. O problema é que isso me gerava uma frustração e tristeza muito grande porque durante muitos anos eu nutri uma dependência emocional muito grande a respeito das pessoas por sempre ter sofrido de rejeição. Eu fazia uma festinha e colocava todas as minhas expectativas nas pessoas: de que elas viriam, de que elas se lembrariam de mim, de que elas me dariam alguma lembrancinha, enfim, tinha expectativa de ser importante para as pessoas que eu considerava como importantes para mim. Não preciso nem dizer como isso me machucou, né? Como me decepcionei e chorei tantas vezes por descobrir que algumas pessoas só se importavam com a minha presença quando eu tinha algo para oferecer e não por simplesmente gostarem de quem eu era. Uau, tempos difíceis!

Em todo tipo de instituição pela qual passei, seja ela acadêmica, corporativa, de família ou religiosa sempre passei por esse tipo de coisa. A rejeição que eu carregava era tão grande que eu automaticamente gerava expectativas pela aceitação das pessoas e muitas, mas muitas vezes isso não acontecia e eu ficava pior ainda. A depressão, aproveitadora nata de situações como essa, sempre rondava nessas horas. Não vou aprofundar nesse assunto, mas me chocava ver como os lugares e pessoas que poderiam tentar amenizar que esse tipo de coisa acontecesse, eram os que mais provocavam e provocam esses sentimentos nas pessoas. Infelizmente não amamos mais as pessoas como antes, hoje, amamos o que podem nos proporcionar. Não estou culpando ninguém, cada um tem sua responsabilidade, só acredito que muitos dos chamados facilitadores deveriam saber lidar melhor com situações como essa, afinal, é por isso que precisamos estar juntos, certo? Para ajudar uns aos outros, restaurar a confiança, o amor e os relacionamentos. O abraçar uma pessoa é algo tão profundo e importante, o cuidar verdadeiramente de uma vida é algo que nenhum valor pode pagar, nenhum status ou benefício. O pagamento vem da alma, do sorriso puro, da gratidão.

A conclusão que chego diante disso é que a humanidade está doente. Jesus falou sobre isso, ele nos alertou sobre como as brigas, invejas, ódio e etc nos afetariam nesses dias. O triste é que nós (me coloco aqui porque também faço parte) nos tornamos mais egoístas e amantes de nós mesmos do que realmente sabemos. Dizemos que é por uma causa, pode ser a de Cristo, pelo ministério, pelo negócio, mas na verdade a causa é nossa.

Que cada um se avalie a respeito disso e tenha a coragem de tirar a máscara que tem carregado dentro das instituições que frequentam, sejam elas quais forem. A cura só virá quando tivermos a honestidade de mostrar primeiro que estamos infectados.

Massssssss voltando ao assunto das reflexões, sim, depositava nas pessoas as minhas expectativas de amor e isso doía muito, porque infelizmente, as pessoas nunca serão com você como você espera, isso é fato, porque todos somos diferentes uns dos outros em tudo, na forma de dar e receber amor e na forma como vivemos os princípios, principalmente. Aprender a não esperar nada das pessoas num modelo saudável é sensacional, mas extremamente difícil e é raro você conversar com alguém que admite passar por isso. É vergonhoso, né? Te chamam de pedante, pegajoso, então por que contar algo assim? Mostrar apenas quem pensam que sou é muito mais bonito e dá muito mais frutos.

A questão é que ao longo dos meus 38 anos completados ontem, já esperei muito das pessoas e sofri por isso. Já tentei me moldar às pessoas, negando quem eu sempre fui somente para tentar ser aceita… só que não! rsss. Não deu certo e fiquei ainda mais frustrada. Até que entendi que isso não iria acontecer, que eu deveria ser quem eu sou na minha essência, com meu caráter e melancolia todinha, rs.

Os anos foram passando, a maturidade veio chegando, a quietude da alma também e Deus foi me curando da dependência emocional. Ontem, pela primeira vez não esperei nada de ninguém, não fiquei ansiosa olhando o celular para ver quantas pessoas tinham enviado mensagens de parabéns, não esperei presentes ou festa surpresa, simplesmente não esperei nada! De repente você pode achar: “mas que besteira, isso é normal, não deveria mesmo esperar nada, tem que ser natural”, mas quem nunca passou por isso jamais vai entender do que estou falando na essência.

A dependência emocional atinge todos os tipos de relacionamento: amizade, pais, líderes, cônjuges, filhos…. a partir do momento em que você coloca suas expectativas de vida, aceitação e amor em outra pessoa ou coisa, você é um dependente. No meu caso, sofria de rejeição desde pequena por sempre ter sido muito introvertida e alimentar o que sempre falaram de mim (que eu era fria, que eu não gostava de estar com gente, que eu era muito sincera e falava as coisas na cara, entre outros… fora os bullyings: branquela, branca azeda e por aí vai). Isso me levou à dependência emocional.

OBS: Se você passa, passou ou conhece alguém que já esteve ou está nessa situação, compartilhe aqui sua experiência, através dela outra pessoa pode ser livre de um cativeiro emocional só pelas palavas que você libera.

Outra coisa que tenho refletido bastante sobre minha vida são as coisas que não fiz/não faço. Isso não é saudosismo, isso é apenas uma pessoa enxergando que ainda dá tempo, que mesmo que tenha perdido tantas boas oportunidades, como diz aquela frase: enquanto há vida, há esperança. E sim, vou usar um jargão clichê, porque sou dessas! Rsssss

É esse assunto que disse no início que parecia uma continuação do post anterior, porque acaba abordando esse tema de não perder mais tempo dentro de uma caixa. Não quero mais apenas passar pela vida, apenas existir sem viver. Quero ver o por do sol, andar na areia, ir à praia (às vezes, né? quem me conhece sabe que não posso ficar no sol… rss), quero sorrir espontaneamente, gargalhar… pare a leitura agora e seja sincero com você mesmo:

– Quantas vezes você tem se permitido viver essas coisas?

– Com que frequência você dá gargalhadas ou sorri com vontade e não forçado só para ser simpático?

Tem uma música antiga do Titãs que a letra diz o seguinte:

“Devia ter amado mais
Ter chorado mais (na verdade, no meu caso, eu choraria menos, rsss)
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor”

É isso! É o que pensei que deveria ter feito mais e ainda acrescentaria algumas coisinhas para fazer menos: reclamado menos (bem menos, rsss), me estressado menos, ter tido menos medo, sofrido menos…

Continuo dizendo que tudo tem que ter bom senso, não é porque quero aproveitar o tempo desperdiçado que vou surtar e viver uma vida louca, isso não é ser quem eu sou. Me permitir viver não é usar isso como uma fuga para fazer as coisas que minha carne grita para fazer, mesmo tendo plena consciência das consequências que me trará.

Sem dúvida, a maturidade ajuda muito nesse processo. Mas não vou negar, dói ver quantas oportunidades ficaram para trás, quantas realizações nunca aconteceram, quantas experiências foram abandonadas e não concluídas. É fato, meu amigo leitor, o tempo não para (e não tem volta), já dizia Cazuza e é a mais pura verdade. Um dia você está com vinte e poucos anos cheio de ideias, todo orgulhoso e daqui a pouco está beirando os 40. Uma coisa eu preciso dizer: uma hora a ficha cai. Para todos! Tenha certeza que em algum momento da sua vida você vai passar por essa análise introspectiva profunda e rever seu passado, as coisas que deixou, os conselhos que não ouviu dos seus pais ou das pessoas que tentaram te direcionar de alguma forma, mas efetivamente esse momento chega para todos.

Não estou triste por chegar aos 38 sem ter concluído muitas coisas que eu gostaria, inclusive ser mãe (embora ainda queira muito isso). Mas tenho pensado que toda a minha vida, todas as frustrações, tristezas e não realizações me prepararam para quem eu sou agora. É difícil? Simmmmm! Tenho passado por crises? Simmmmm! E embora esteja passando por tudo isso, de uma coisa eu tenho certeza: não quero passar o restante da minha vida nessa terra linda que Deus fez apenas existindo, cumprindo protocolos, pagando contas. Quero ter prazer em viver a vida que me foi proposta. A Bíblia diz que Deus nos criou antes da fundação do mundo e que Ele tem um livro para cada um de nós com uma história única, isso quer dizer que apesar das lutas que temos nesse mundo e nesses tempos do fim (alguém tem alguma dúvida de que já estamos nesse tempo??), Deus ainda tem para nós uma vida aonde podemos desfrutar de gotas de felicidade. Sim, eu acredito que a felicidade verdadeira está nas pequenas coisas, no dia a dia, como no olhar para uma nuvem escura no céu e ver os raios de luz saindo dela quando não havia a menor possibilidade disso acontecer.

Meu conselho hoje seria: Aproveite as oportunidades! Saia da caixa! Tenha coragem de voar! Desfrute da sua vida!

Obrigada a você, por nesse aniversário de 38 anos ter me dado sua atenção de presente! 😊

One Reply to “Reflexões dos 38 – Da dependência emocional ao sair da caixa”

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    Lindo texto e o final me emocionou.Obrigado por abrir seu coração, que isso chegue a outros e possa cura-los também.

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